Mais uma etapa na busca por mais segurança

Políticas públicas muitas vezes demoram para sair do papel. Por outro lado, muitas vezes são rapidamente definidas e postas em prática, porém sem a devida articulação com a sociedade, sem estudo de dados e referências, sem a construção eficiente da melhor via para alternativas e soluções.

Por isso que a política pública deve representar uma resposta consistente a demandas reais, obedecendo a um processo que enriqueça a decisão do gestor público com perspectivas qualificadas presentes na sociedade.

O videomonitoramento colaborativo é um tipo de política voltada à segurança pública, que de forma inovadora foca nos serviços mais do que em dispendiosa infraestrutura. Trata-se de um tipo de programa que confere mais inteligência à atuação das forças de segurança. Ao mesmo tempo que aumenta a sensação de segurança também fornece diagnósticos e dados a partir dos quais se torna possível operar com maior eficiência nesta área.

O IPM foi buscar essa boa prática. Em outubro de 2020 conhecemos de perto o sistema. Um mês depois já mobilizamos várias entidades e instituições locais para fortalecerem a demanda junto ao poder público. No início de 2021 levamos a agenda para a secretaria de segurança, mostrando interesse, proposta e engajamento.

Depois de uma construção legítima dessa demanda, buscando representatividade e envolvimento qualificado para articular soluções, tivemos a grata satisfação de estarmos atuantes em mais uma etapa da construção desta política pública.

No último dia 22 o prefeito sinalizou com um compromisso no sentido de termos essa boa prática aplicada em Toledo.

O IPM está fazendo a sua parte, que é contribuir no processo de construção de soluções para problemas públicos locais.

Código de Defesa do Usuário do Serviço Público – Lei 13.460/2017

O IPM teve a imensa satisfação de receber o Dr. Gilberto Waller Jr, procurador federal e atual Corregedor Geral da União, para um evento realizado no dia 7 de Outubro, no Olinda Hotel e Eventos em Toledo/PR.

O palestrante: Dr. Gilberto Waller Jr, Procurador Federal, atualmente ocupa o cargo de Corregedor-Geral da União na Controladoria-Geral da União (CGU), é Graduado em Direito e já atuou como Ouvidor-Geral da União e também como Corregedor Setorial do Ministério da Fazenda, do Ministério dos Transportes e do Ministério da Integração Nacional, além de diversas funções no INSS, como de Subprocurador Geral dentre outros cargos na Administração Pública.

O Código de Defesa do Usuário do Serviço Público – Lei 13.460/2017:

A Constituição Federal assegura o direito a qualquer cidadão usuário dos serviços públicos participar da ação do governo, fazendo reclamações e avaliando a qualidade dos serviços a qualquer tempo.

A Lei 13.460/17 foi feita para explicar o que o cidadão pode fazer para ter esses direitos garantidos.

Essa lei, com vigência em todos os municípios do país desde junho de 2019:

  • Consagra os princípios norteadores do serviço público.
  • Impõe a elaboração de uma Carta de Serviços ao Usuário.
  • Oferece instrumentospara garantir os direitos do usuário.
  • Regulamenta as formas das manifestações.
  • Impõe a avaliação continuada dos serviços prestados.
  • Cria um ranking das entidades com maior incidência de reclamações.
  • Redefine o papel das ouvidorias.

São obrigações impostas à administração pública:

  • Elaborar regulamentos específicos dispondo sobre
    • Operacionalização da Carta de Serviços ao Usuário.
    • Organização e funcionamento das Ouvidorias.
    • Organização e funcionamento dos Conselhos de Usuários.
    • Avaliação da efetividade e dos níveis de satisfação dos usuários.

Os eixos desse novo código se estendem sobre AVALIAÇÃO, PARTICIPAÇÃO e TRANSPARÊNCIA.

Avaliação dos Serviços

Órgãos e entidades públicas efetivarão a avaliação dos serviços nos seguintes aspectos:

  • Satisfação do usuário com o serviço.
  • Qualidade do atendimento.
  • Cumprimento com os compromissos e prazos para prestação.
  • Quantidade de manifestações dos usuários.
  • Medidas adotadas pela administração para a melhoria e aperfeiçoamento da prestação de serviço: pesquisa de satisfação.

Participação

Redefinição do papel das Ouvidorias para:

  • Promover a participação do usuário em cooperação com outras entidades de defesa do usuário.
  • Acompanhar a prestação de serviços.
  • Propor aperfeiçoamento na prestação.
  • Auxiliar a prevenção e correção dos atos e procedimentos incompatíveis com os princípios.
  • Propor a adoção de medidas para a defesa dos direitos do usuário.
  • Receber, analisar e encaminhar as manifestações.
  • Promover a adoção de mediação e conciliação entre usuário e órgão.
  • Elaborar, anualmente, relatório de gestão.

Conselho de Usuários:

  • Acompanhar a prestação de serviços.
  • Participar da avaliação.
  • Propor melhorias na prestação.
  • Contribuir na definição de diretrizes.
  • Acompanhar e avaliar a atuação do ouvidor.

Transparência

Carta de Serviços – Detalhar os compromissos e padrões de qualidade do atendimento relativos, no mínimo, aos seguintes aspectos:

  • Prioridades de atendimento.
  • Previsão de tempo de espera para atendimento.
  • Mecanismos de comunicação com os usuários.
  • Procedimentos para receber e responder as manifestações.
  • Mecanismos de consulta, por parte do usuário, acerca do andamento do serviço solicitado e de eventual manifestação.

Videomonitoramento colaborativo

A segurança pública é uma das maiores preocupações do brasileiro, mesmo em cidades do interior. A busca por mais segurança tem passado por soluções que exigem inovação, monitoramento eficiente de dados e desenvolvimento de tecnologia capaz de integrar as diferentes forças de segurança.

Um modelo de boa prática já adotado em várias cidades do Brasil é o de videomonitoramento colaborativo. Nesse programa câmeras particulares são integradas a um sistema que armazena as imagens em nuvem, criando uma imensa malha de monitoramento de toda a cidade e interior. A partir disso é possível operar com inteligência sobre os dados armazenados, realizando análises pormenorizadas de placas de veículos, movimentações consideradas suspeitas e o desenrolar de atos criminosos. As imagens cedidas por particulares são, evidentemente, apenas da parte externa dos estabelecimentos, resguardando a privacidade de cada um. O acesso aos dados também é controlado e permitido apenas às forças de segurança, impedindo assim o desvirtuamento do acesso.

O Instituto Pessoas Melhores (IPM) abraçou esse projeto e tem buscado desde meados de 2020 a mobilização necessária para que um sistema como este seja implantado em Toledo. Para o IPM essa iniciativa representa muito bem o que se espera de políticas públicas inovadoras: atende uma demanda geral, tem como foco os serviços e não simplesmente a manutenção de dispendiosa infraestrutura no município, fortalece a cultura de colaboração para a resolução de problemas públicos, e torna-se viável a partir da mobilização qualificada na soma dos esforços de entidades locais.

A primeira etapa iniciou-se no dia 04 de novembro de 2020, quando o IPM reuniu no auditório da Acit entidades para conhecerem um pouco mais sobre o projeto. Além do próprio presidente da Acit, também estiveram presentes representantes do Comdet, Sindicato Rural, Núcleo de Imobiliárias, Sinvar, Sincoeste, Junsoft, Sicoob e Guarda Municipal. Posteriormente Associação Médica e OAB também conheceram o projeto e demonstraram apoio.

04 de novembro de 2020. Reunião com entidades para mobilização do projeto.

Na última segunda-feira, 1 de fevereiro, foi dado mais um passo para o avanço dessa agenda. Em reunião com o secretário de segurança e trânsito de Toledo, Arthur Rodrigues de Almeida, o IPM juntamente com os presidentes da Acit, Comdet e Sindicato Rural apresentaram a pauta.

O secretário de segurança mostrou-se um entusiasta do projeto, de modo que se fortaleceu o compromisso de apoio do Instituto Pessoas Melhores para a continuidade da mobilização junto às entidades em torno do tema, encaminhando os próximos passos para que essa solução seja viabilizada em Toledo o mais breve possível. O sr. Arthur salientou a importância dessa mobilização das entidades, construindo de forma colaborativa as soluções que a sociedade demanda como um todo.

É fundamental que o debate se amplie, para que mais perspectivas sejam acrescentadas e se alcance a solução mais adequada à realidade local. Por conta disso, o IPM segue mobilizando as entidades interessadas em participar desse projeto, bem como fortalecendo as ações que envolvam a cooperação da sociedade civil para a melhoria dos serviços públicos.

Reunião com o Secretário de Segurança e Trânsito de Toledo. Claudenir Machado (ACIT), Edésio Reichert (IPM), Sr. Gaffuri, Secretário Arthur Rodrigues de Almeida, Nelson Paludo (Sindicato Rural), Anaide Holzbach (Comdet) e Amir Kanitz (IPM).