PAIS: FAZENDO JUNTOS O RESULTADO É MELHOR. COMBATA A PREGUIÇA NOS FILHOS!– mais uma ação do Instituto Pessoas Melhores

O Instituto Pessoas Melhores lançou a campanha PAIS: FAZENDO JUNTOS O RESULTADO É MELHOR.
COMBATA A PREGUIÇA NOS FILHOS! – uma iniciativa que convida pais a refletirem sobre educação dos filhos de forma prática e eficiente, tendo como questão central a seguinte reflexão: estamos formando filhos preparados para a vida ou filhos mimados?

A campanha ganha as ruas e os meios de comunicação com uma presença estratégica. Faixas instaladas em frente às escolas, pontos de grande circulação, outdoors, participação em rádios e podcasts, além de artigos em revistas, tudo isso para refletir sobre a importância do papel dos pais na formação dos filhos. Um adulto responsável se forma a partir da prática de pequenas atitudes no dia a dia, onde se firmarão valores absolutamente necessários para enfrentar os desafios do futuro.  

É importante esclarecer que ao usar o termo preguiça, não estamos rotulando as crianças. Estamos sim chamando a atenção para um comportamento que, muitas vezes, é construído sem intenção. Naturalmente o ser humano evita o que demanda esforço, por isso, virtudes como essas devem ser ensinadas, treinadas… Em uma rotina acelerada, é comum que os adultos façam pelos filhos aquilo que eles já poderiam começar a aprender. A pressa resolve no momento, mas pode comprometer o desenvolvimento saudável da criança.

Quando não participa das tarefas do lar, ela perde oportunidades fundamentais e necessárias para o aprendizado, como o entendimento de que ela desempenha um importante papel na dinâmica familiar e que sua contribuição tem valor, como a de qualquer outro membro. É nesse processo que a criança desenvolve o senso de responsabilidade, cooperação e o respeito pelo trabalho – seu e do outro.

Um aspecto que o instituto chama atenção é para que os pais façam as atividades junto com seus filhos, sempre que possível.  Quando pais agem desta forma criam e fortalecem laços de cumplicidade, de cooperação, de participante da vida familiar. Enfim, constrói confiança e segurança emocional.

Diante disso, fica o convite à reflexão:

Estamos criando filhos que são participativos ou se comportam como visitas?

Estamos ensinando o caminho do esforço ou apenas facilitando a rotina deles?

Estamos educando para o pensar no outro ou permitindo que os filhos sejam individualistas?

Faça parte dessa campanha, acompanhe-nos pelas redes e acesse nosso material de apoio, disponível gratuitamente na aba “download”.

Destaque

Como aprender a redigir com facilidade

       

O capítulo 38 do livro Professor não é Educador, do Armindo Moreira trata de como ajudar alunos a aprenderem uma das mais importantes habilidades para a vida e para as profissões: escrever bem. Isto significa organizar as ideias e comunicá-las aos outros.

“Os professores queixam-se de que os alunos não sabem redigir. Para os alunos, redigir é um tormento. E o pior é que o cidadão sai da escola com horror à redação! Vemos, por aí, pessoas que suam para lançar quatro linhas num papel.”

“Quando o professor exige que alunos de nove anos dissertem sobre Os Deveres do Prefeito ou sobre Higiene, os alunos desejariam poder também dizer: Eu nem sei o que isso é!… Mas não podem: têm de fazer a redação, sob pena de serem considerados desobedientes ou preguiçosos e de verem um zero na pauta. E fazem qualquer coisa que sai sem jeito e inaceitável. Esta frustração, repetida vezes sem conto, cria a inibição. Ninguém dá o que não tem é um provérbio que deve estar presente na mente do professor, quando manda fazer uma redação.”

“Escreve quem tem assunto e quem tem palavras para o fazer. Se o aluno ainda não foi acometido pela inibição, ele redigirá com simplicidade e sem esforço sobre assuntos que domina e para os quais ele possui vocabulário. O que mais atrapalha o redator – seja criança, seja adulto – é a carência de vocábulos. Assim, muito antes de exigir que o aluno redija, devemos preocupar-nos com que ele adquira um grande vocabulário; que saiba os nomes das coisas que nos cercam; que saiba os nomes das partes, dos elementos e dos pormenores dos objetos com que lidamos.”

“Um dia, coloquei uma caixa de fósforos sobre a mesa e disse à turma de 5ª série: Façam uma redação sobre esta caixa de fósforos. Foi um espanto de protestos e de desânimo! Alegavam todos que não havia que dizer sobre uma caixa de fósforos. Fiz sinal para que atendessem. Peguei o giz e escrevi no quadro os seguintes nomes: base inferior, base superior, face esquerda, face direita, face anterior, face posterior, aresta, paralelas, logotipo, marca, inscrição, lixa, paralelepípedo, espessura, folha de madeira, invólucro, gaveta, côncavo, curso, comprimento, largura, altura, ajustamento, frágil, leve, ângulo, junta, cola, papel, cor, função. Larguei o giz e disse: Façam, agora. Descrevam a caixa de tal modo, que quem não a viu fique sabendo como ela é e possa até desenhá-la. As canetas começaram imediatamente a deslizar, com alívio e até com alegria. Ninguém fez menos de vinte linhas. Ninguém fez redação inaceitável.”

Esta mesma técnica pode ser aplicada tanto em sala de aula como em casa, escolhendo o aluno ou indicado pelos pais, os temas ou objetos sobre os quais irá fazer uma redação. Como sugestão, para crianças e adolescentes, escolher objetos de seu interesse.

Sobre cada tema ou objeto escolhido, o aluno escreve tudo o que vier à mente – mesmo que seja palavrão, despropósito ou frase incompleta, que se refira ao tema ou objeto. “Chama-se esta parte do exercício prova de velocidade e tem por objetivo que a escrita seja tão rápida quanto o pensamento.”

“Poucos alunos permanecem inibidos. A maioria descobre que o importante é começar a escrever – seja como for e o que for – já que, depois, lança fora o que não interessa.”

Este exercício praticado repetidas vezes, é quase infalível em seus resultados proporcionando à pessoa que a o faz, uma boa capacidade de redação.

Adaptado do livro “Professor Não é Educador”, de Armindo Moreira

Você sabe ouvir?

Há cerca de 35 anos estava em uma festa e após o almoço, duas senhoras, uma lavando a louça e outra secando, conversavam animadamente.

A que estava lavando começou falar de sua viagem de férias com a família, que havia ocorrido há pouco tempo. Tinha sido uma semana maravilhosa, com muito sol, com passeios, com mergulho, etc. A outra senhora que secava a louça, assim que a primeira deu uma “parada pra respirar”, começou falar da sua viagem de férias, também para a praia. Porém ao contrário da anterior, tinha sido uma semana muito ruim, com muita chuva, com vômitos, com queimaduras de água viva, etc. Deu uma “parada pra respirar”, a que estava lavando continuou falando de sua semana, que foram para um parque de diversões, que foram em restaurantes ótimos, etc. A senhora que estava secando, retorna falar outros relatos ruins de sua viagem.

O tempo que fiquei observando, em nenhum momento uma fez perguntas sobre a viagem da outra; ambas apenas falaram, cada uma de sua viagem.

Passados uns 20 anos daquela primeira observação, certo dia presenciei um senhor que chegou onde tinha mais pessoas e disse: esta noite dormi mal, muita dor de cabeça, que noite horrível. Imediatamente outra pessoa falou: eu também dormi mal, mas pra mim foi dor no estômago, nossa, passei muito mal.

Em 2012 após iniciar a divulgação do livro Professor não é Educador, as questões ligadas à educação das pessoas – não da instrução – cada vez mais entraram no meu radar de observações.

Em 2014, a partir de reflexões do livro acima, criamos o Movimento Pessoas Melhores – movimento que deixou de existir naquele formato, e de certo modo, transformou-se no Instituto Pessoas Melhores – que tinha entre seus objetivos, ajudar pais a educar melhor os filhos. Lembrando daqueles episódios descritos acima, incluímos entre as características de uma pessoa bem educada, o que na ocasião denominamos de “saber ouvir”.

Esta questão foi central: o que é recomendável para ouvir bem quem está falando? Prestar atenção no assunto que está sendo falado, olhar para a pessoa, observar sua expressão e fazer perguntas do mesmo assunto. Imagine aquelas senhoras perguntado uma à outra: em que praia foram? Conheceram outras praias? Foram só com a família ou mais alguém? Os problemas de saúde passaram logo ou duraram mais tempo? Etc. E o interlocutor poderia ter falado àquele senhor: de fato, é horrível quando não se dorme bem. Tem dor de cabeça com frequência? Desconfia do que pode ser a origem dela? Fez alguma coisa para amenizar? etc.

Passados mais alguns anos, li o livro do Bob Chapman, “Todos São Importantes”, e nele, Bob fala que “…a coisa mais poderosa que um líder pode fazer é escutar de forma profunda e verdadeira. Escutamos as palavras, mas raramente diminuímos a velocidade para escutar e sentir com nossos ouvidos para entender emoções, medos e preocupações ocultas….”

Tratando desse assunto com o amigo e Psicólogo Fabian Giordani, ele falou em ‘escuta ativa’, que da mesma forma, significa estar presente, prestar atenção, fazer perguntas para bem compreender a pessoa que está falando.

Por fim, a cereja do bolo, com os livros do Marshall Rosenberg, “Comunicação Não Violenta”, e “Vivendo a Comunicação não Violenta”, confesso, livros que deram um nó no cérebro levando-o a rever conceitos, hábitos, sobretudo ligados a muitos desnecessários julgamentos. O caminho para a verdadeira empatia passa por evitar juízos, evitar avaliações e apenas observar, a si próprio e ao outro, tentar captar os sentimentos e necessidades das pessoas envolvidas. “O primeiro passo da conexão empática é o que Martin Buber chamou de dádiva mais preciosa que um ser humano pode dar a outro: a presença”. E continua, “…receber a mensagem com empatia, conectando-se com o que está vivo na pessoa, sem fazer julgamentos”.  

Esta comunicação proposta pelo Rosenberg, que já está produzindo efeitos positivos, dada a sua profundidade e sutileza, poderá, com o tempo, e muito, mas muito treino, em vários outros aspectos, ser incorporada na minha rotina diária.

Caro leitor, se ainda não havia feito reflexões a este respeito, experimente observar a si próprio e a outras pessoas. Muitos têm por hábito falar apenas de si, de seus projetos, de suas realizações, do que assistiram, do que conheceram, etc, muito à semelhança dos relatos acima.

Concentrar-me na pessoa que está falando, tentar captar o que verdadeiramente está tentando dizer, fazer perguntas para melhor compreendê-la, é uma prática que requer bastante atenção e colabora para fazer progressos na direção da escuta com empatia.

E certamente como resultado, a sua vida e da outra pessoa será enriquecida,  tornando-as mais maravilhosas.

Edésio Reichert

Vice-presidente do IPM