Aula – Lobby social (Advocacy)

Apesar da democracia brasileira estar em estado de amadurecimento, ainda falta muito para que a maioria das pessoas e organizações saibam interagir institucionalmente com eficiência, isto é, sendo legitimamente representadas e tendo seus interesses defendidos.

A defesa de interesses é ato assegurado pela nossa constituição. Pessoas Físicas ou Jurídicas podem peticionar diante do Estado, buscando ações em prol de suas atividades, valores, crenças, ideias e interesses. Mas não há uma garantia de que serão atendidas, pois é fundamental que haja consistência nessas petições, ou seja, é preciso ter legitimidade, e isso não se conquista ou se constrói simplesmente com tendo vontade ou razão. A criação de legitimidade é um processo, e é fundamental para o posicionamento eficiente no contexto democrático.

Em nossa cultura democrática ainda incipiente ainda é muito comum, ainda que muitas vezes implícito, o desejo por uma grande ação de nível nacional, a espera por uma ideia revolucionária, ou mesmo a esperança de que sura um salvador da pátria. Não nos acostumamos aos longos processos de conquista de narrativas e espaços de atuação por meio das instituições.

Se queremos mudar leis, políticas, instituições, sistemas, mentalidades ou comportamentos, precisamos entender que isso leva tempo, demanda recursos (pessoas, dinheiro, conhecimento) e exige método. O caminho é longo (ma não é desconhecido!) para influenciar os tomadores de decisão. É absolutamente fundamental pressioná-los com dados, representação de uma realidade, e sobretudo com propostas de solução.

Conhecer os caminhos diretos e indiretos, a legítima e necessária atuação por meio de lobby ou advocacy (lobby indireto, de interesse social, por meio de um amplo conjunto de práticas), pode ser uma forma de acessarmos a possibilidade de sairmos da passividade, encontrarmos medidas exequíveis e compreendermos os métodos reconhecidos para uma defesa legítima de interesses sociais.

A aula foi uma introdução ao Lobby e Advocacy, explanando seus conceitos, como funcionam e o porquê de suas eficácia e necessidade. Uma segunda aula deve explorar as principais ferramentas de Advocacy, bem como os meios de Interação entre sociedade civil organizada e órgãos de litígio do Estado, elencando os principais métodos de atuação judicial que os grupos de interesse podem utilizar.

Aula – Direito Eleitoral

No dia 30 de Junho mais de 40 pessoas participaram da aula on-line oferecida pelo IPM. Nesta ocasião o Dr. Ruy Fonsatti Jr., advogado especialista em Direito Eleitoral e Administrativo, e também presidente do Instituto Pessoas Melhores, ministrou uma aula sobre vários aspectos do Direito Eleitoral. Participaram como ouvintes pré-candidatos e também pessoas interessadas no assunto.

A partir de um breve histórico dos processos eleitorais no Brasil, o Dr. Ruy conseguiu prender a atenção dos ouvintes por mais de uma hora e meia, abordando toda a complexidade da questão, bem como respondendo a uma série de questionamentos.

A compreensão sobre o processo eleitoral faz parte de uma das frentes do IPM, qual seja a preparação de pessoas que deverão agir eficientemente frente a questões sociais. A via política eleitoral é um caminho legitimo, que importa a todos que se importam em agir adequadamente utilizando em sua plenitude as instituições democráticas.

Várias das pessoas que assistiram a aula pediram mais uma edição para que sejam explorados mais detalhes, e o IPM preparará para breve a aula II de Direito Eleitoral.

Conteúdo da aula de 30 de Junho:
•Voto.
•Legitimação ativa e passiva.
•Condições de Elegibilidade.
•Causas de Inelegibilidade. •Convenções Partidárias. •Registro de Candidatura. •Propaganda Política. •Propaganda Eleitoral. •Pré campanha. •Arrecadação e Gastos de Campanha.
•Prestação de Contas.

Aula – O problema da desigualdade social

No dia 18 de Junho a aula foi sobre um tema muito comentado no Brasil, a desigualdade social. Nossa abordagem evitou análises ideológicas ou discursos de culpabilização por atrasos econômicos e sociais. Procuramos entender se esse de fato é um problema, quais são seus impactos e como se deve tratá-lo.

Como referencial teórico utilizamos economistas famosos por seus estudos nesse tema, como Simon Kuznets, Peter Bauer, Branko Milanovic e principalmente o prêmio Nobel de Economia Angus Deaton. As referências para a situação específica do Brasil foram retiradas da recente obra “Uma história da desigualdade: a concentração de renda entre os ricos no Brasil 1926-2013”, de Pedro H. G. Ferreira de Souza, livro que recebeu o prêmio ANPOCS em 2017.

Na aula destacamos três aspectos sobre a desigualdade: Seria algum tipo de injustiça gerada pelo sistema econômico. Qual é o tipo de instabilidade social que ela cria. Quais são as influências políticas que envolvem a desigualdade social.

Não acreditamos que faça algum sentido investigarmos “as raízes do subdesenvolvimento”, mas que devemos compreender as possibilidades de saída dessa situação. E aí foi muito útil a obra de Angus Deaton, que explica como a saída da pobreza cria um processo em que alguns despontam, deixando outros para trás, o que se configura em desigualdade, mas que não significa que seja injustiça e muito menos uma situação insuperável. Portanto, a desigualdade, se não for persistente, pode demonstrar um processo de desenvolvimento.

Por outro lado, a ordem social depende de uma legitimidade para suas hierarquias, ou seja, as diferenças não podem ser vistas como abusos e abismos intransponíveis. Se isso ocorre não haverá compartilhamento de valores e interesses, a política será dominada por grupos específicos e sem acesso ao poder. Isso será fator de instabilidade social.

Portanto, a criação de um ambiente social que proporcione mobilidade, que não seja visto como um fosso entre os diferentes segmentos sociais, será importante para que haja uma sociedade de confiança, de responsabilidades compartilhadas. E a simples redistribuição de renda não é suficiente para promover essa aproximação entre os estratos sociais. Por isso os remédios eficientes para a desigualdade só podem ser encontrados com o diagnóstico correto da situação. Nesse sentido a abordagem que estabelecemos no IPM se mostra mais profunda e comprometida com mudanças de longo prazo, por meio de mais conhecimento consolidado, e ações públicas consistentes e adequadas a cada realidade.