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IPM trouxe dois dos principais palestrantes em Comunicação Não Violenta do Brasil para evento em Toledo

No dia 22/11/2023, o IPM realizou o workshop Comunicação Não Violenta: transformando conflitos em entendimento e cooperação. O evento foi realizado no Olinda Hotel e Eventos, contou com a presença de 44 participantes e dois dos principais nomes em Comunicação não violenta no Brasil.

Durante 4 horas, Yuri Haaz e Sandra Caselato falaram um pouco sobre a filosofia da Comunicação Não Violenta, criada pelo psicólogo americano, Marshall Rosemberg. Contudo, na maior parte do tempo, os participantes foram estimulados a participarem de dinâmicas, simulando conversas seguindo a proposta de uma conversa assertiva e empática.

O evento foi um sucesso, contando com a participação engajada e empolgada do público, que em vários momentos, manifestou como a proposta desse tipo de comunicação pode impactar positivamente as interações sociais, diferente de como vinham fazendo.

Um pouco mais cedo, os dois palestrantes concederam uma entrevista ao Salada Mixta, mediada por Édio Rosseto, em um bate-papo descontraído e muito informativo sobre o tema Comunicação Não Violenta. Confira!

Quando os problemas políticos vão acabar?

Depende. Se você é daqueles que observam tudo através de lentes ideológicas a resposta é: nunca. A ideologia nos faz enxergar a realidade como um bloco único e simplificado, tipo: “o pensamento e as ações deles são ruins, então, se nós tivermos o poder será o nosso pensamento lá, logo as ações serão boas”. O problema é que além de tosca, essa visão é insuficiente para sociedades modernas e complexas, pois nunca um grupo terá todo o poder, o tempo todo e em todas as áreas.  No best-seller O fim do poder, Moisés Naím realiza uma profunda análise sobre o potencial de domínio neste início de século, indagando com precisão que hoje “o poder está mais fácil de obter, mais difícil de utilizar e mais fácil de perder”.

Com efeito, se a expectativa for tirar “eles” do poder para finalmente desfrutarmos de um mundo melhor, somente haveria algum êxito se eliminássemos todos os que identificamos como sendo “eles”. Nem é preciso falar que isso é descabido, impraticável, totalitário e, por fim, desastroso, pois a história dá suas voltas e derruba esse tipo de mentalidade boçal logo ali na próxima curva – apesar do custo imenso para se provar e superar o desvario. Portanto, se você classifica todos os problemas como sendo causados pela ação de grupos ideológicos, o seu destino é ficar cada vez mais alienado e frustrado, pois “eles” continuarão existindo, e o “nós” do qual você faz parte continuará sem o poder que acredita ser necessário para melhorar as coisas.

Esse pensamento – muito em voga atualmente – forja uma postura que funciona assim: “quando ninguém mais estiver atrapalhando nós vamos conseguir fazer o que é certo”. Daí ninguém faz nada a não ser pregar o fim do “outro” como solução para tudo. Trata-se de uma mentalidade tribal e paralisante. E o pior é que muitos, pensando assim, acreditam estar lutando contra a decadência do mundo moderno. São tolos, que além de não lutarem para solucionar problemas reais do seu cotidiano, estão muito bem encaixados na mentalidade facciosa característica do mundo que imaginam combater.

Agora, se você está pensando com o cérebro e não com o fígado vai logo perceber que a pergunta do título está mal formulada. Não há como os problemas políticos acabarem. Ora, a política é justamente a via para o tratamento – não necessariamente solução – de problemas públicos. E desse modo é necessário compreender que a) há certos problemas para os quais não existem soluções completas ou mesmo conhecidas, mas apenas paliativos; b) há muitos problemas que não possuem culpados claramente identificáveis, pois são entraves culturais, históricos ou de atraso econômico, que só percebemos em relação a outras sociedades com as quais muitas vezes nem podemos nos comparar; c) e também há os problemas – aí sim –resultantes da ação de determinadas ideologias que construíram suas “soluções” de forma hegemônica, e para superarmos estes problemas não basta a expressão apaixonada pelo desejo de eliminar quem comunga de tais ideologias. Nos três casos o que precisamos é construir soluções para problemas reais, e não o esforço repetido de criarmos sumários de culpas que nos coloquem na posição de virtuosos condenando os monstruosos.

Acredito que a perspectiva política – seja de esquerda ou de direita, coletivista, liberal, progressista ou conservadora – que tenha como principal atividade procurar culpados e execrá-los, para poder assim se afirmar como a via mais pura e irrecusável, não permite uma análise sensata dos problemas públicos e muito menos proporciona a implementação correta de soluções.

Concordo com Daniel Markovits, professor de Direito em Yale, que refletindo sobre os processos econômicos e políticos característicos das estruturas sociais disfuncionais que enfraquecem as democracias, afirma que “tanto a fé abraçada por alguns, como a ira sacrossanta de muitos críticos, avaliam mal os desafios que encaramos”.

O jogo de acusações pode até formar movimentos e reações, mas não forma agendas. Uma agenda de políticas públicas consiste em organizar demandas sociais reais, de modo que possam se encaixar em processos institucionais e receber tratamento dos entes públicos com efetividade. Sem agendas sólidas e racionais seguiremos envoltos por entraves legislativos, morosidade burocrática e serviços precários – que não são problemas causados por alguém ou algum grupo específico, mas são justamente o substrato de camadas históricas de reações políticas operadas sem agendas definidas.

É compreensível que as pessoas expressem cansaço e indignação frente aos desafios que vivemos. Porém, quem estiver disposto a encarar os problemas para resolvê-los deverá fazê-lo com uma disposição mental menos infantil, ou seja: a) entendendo a extensão dos problemas – e isso vai muito além de encontrar culpados; b) construindo com inteligência as soluções – que inclui participar da elaboração, articulação e execução dessas soluções, negociando com várias propostas e ideias conflitantes; e c) manejando os processos de maneira institucional e ordenada – o que claramente ultrapassa a natureza da política puramente eleitoral.

É verdade que o brasileiro está menos indiferente com a política em comparação com o que já foi. Mas isso não significa que esteja mais instruído ou capacitado para buscar soluções para questões públicas, pois a maioria avalia mal os problemas e crê que uma baldeação ideológica resolveria tudo.

Aliás, ainda que o único desejo seja uma vitória sobre a ideologia adversária é necessário construir soluções de conteúdo. Pois, como notou o perigoso e genial Antonio Gramsci, a visão de mundo que defendemos só se torna hegemônica quando opera com muitos graus de aderência à realidade, isto é, se conseguir tratar os problemas reais de forma prática. Não basta preencher o vazio existencial com alguma contra-ideologia.

Apesar de custoso, precisamos encarar a realidade: sempre haverá disputas políticas e interesses conflitantes; os grupos e ideias que você não aprova continuarão existindo e exercendo algum tipo de influência; não há perfeição social, apenas melhoria, e você precisa trabalhar para essa melhoria desde já (não no WhatsApp) para em algumas décadas colher os frutos; vontade de melhorar a sociedade todos têm (até o seu inimigo, que talvez use o método errado, mas acredita que do jeito dele será melhor), mas o que falta é conhecimento e esforço ordenado para empreender as melhores soluções.

A política é um continuum, nada se inicia do zero e nada é definitivo. E isso serve para o bem e para o mal da política.

Amir Kanitz é sociólogo, professor e secretário-executivo do IPM.

Videomonitoramento colaborativo

A segurança pública é uma das maiores preocupações do brasileiro, mesmo em cidades do interior. A busca por mais segurança tem passado por soluções que exigem inovação, monitoramento eficiente de dados e desenvolvimento de tecnologia capaz de integrar as diferentes forças de segurança.

Um modelo de boa prática já adotado em várias cidades do Brasil é o de videomonitoramento colaborativo. Nesse programa câmeras particulares são integradas a um sistema que armazena as imagens em nuvem, criando uma imensa malha de monitoramento de toda a cidade e interior. A partir disso é possível operar com inteligência sobre os dados armazenados, realizando análises pormenorizadas de placas de veículos, movimentações consideradas suspeitas e o desenrolar de atos criminosos. As imagens cedidas por particulares são, evidentemente, apenas da parte externa dos estabelecimentos, resguardando a privacidade de cada um. O acesso aos dados também é controlado e permitido apenas às forças de segurança, impedindo assim o desvirtuamento do acesso.

O Instituto Pessoas Melhores (IPM) abraçou esse projeto e tem buscado desde meados de 2020 a mobilização necessária para que um sistema como este seja implantado em Toledo. Para o IPM essa iniciativa representa muito bem o que se espera de políticas públicas inovadoras: atende uma demanda geral, tem como foco os serviços e não simplesmente a manutenção de dispendiosa infraestrutura no município, fortalece a cultura de colaboração para a resolução de problemas públicos, e torna-se viável a partir da mobilização qualificada na soma dos esforços de entidades locais.

A primeira etapa iniciou-se no dia 04 de novembro de 2020, quando o IPM reuniu no auditório da Acit entidades para conhecerem um pouco mais sobre o projeto. Além do próprio presidente da Acit, também estiveram presentes representantes do Comdet, Sindicato Rural, Núcleo de Imobiliárias, Sinvar, Sincoeste, Junsoft, Sicoob e Guarda Municipal. Posteriormente Associação Médica e OAB também conheceram o projeto e demonstraram apoio.

04 de novembro de 2020. Reunião com entidades para mobilização do projeto.

Na última segunda-feira, 1 de fevereiro, foi dado mais um passo para o avanço dessa agenda. Em reunião com o secretário de segurança e trânsito de Toledo, Arthur Rodrigues de Almeida, o IPM juntamente com os presidentes da Acit, Comdet e Sindicato Rural apresentaram a pauta.

O secretário de segurança mostrou-se um entusiasta do projeto, de modo que se fortaleceu o compromisso de apoio do Instituto Pessoas Melhores para a continuidade da mobilização junto às entidades em torno do tema, encaminhando os próximos passos para que essa solução seja viabilizada em Toledo o mais breve possível. O sr. Arthur salientou a importância dessa mobilização das entidades, construindo de forma colaborativa as soluções que a sociedade demanda como um todo.

É fundamental que o debate se amplie, para que mais perspectivas sejam acrescentadas e se alcance a solução mais adequada à realidade local. Por conta disso, o IPM segue mobilizando as entidades interessadas em participar desse projeto, bem como fortalecendo as ações que envolvam a cooperação da sociedade civil para a melhoria dos serviços públicos.

Reunião com o Secretário de Segurança e Trânsito de Toledo. Claudenir Machado (ACIT), Edésio Reichert (IPM), Sr. Gaffuri, Secretário Arthur Rodrigues de Almeida, Nelson Paludo (Sindicato Rural), Anaide Holzbach (Comdet) e Amir Kanitz (IPM).