Aula – O problema da desigualdade social

No dia 18 de Junho a aula foi sobre um tema muito comentado no Brasil, a desigualdade social. Nossa abordagem evitou análises ideológicas ou discursos de culpabilização por atrasos econômicos e sociais. Procuramos entender se esse de fato é um problema, quais são seus impactos e como se deve tratá-lo.

Como referencial teórico utilizamos economistas famosos por seus estudos nesse tema, como Simon Kuznets, Peter Bauer, Branko Milanovic e principalmente o prêmio Nobel de Economia Angus Deaton. As referências para a situação específica do Brasil foram retiradas da recente obra “Uma história da desigualdade: a concentração de renda entre os ricos no Brasil 1926-2013”, de Pedro H. G. Ferreira de Souza, livro que recebeu o prêmio ANPOCS em 2017.

Na aula destacamos três aspectos sobre a desigualdade: Seria algum tipo de injustiça gerada pelo sistema econômico. Qual é o tipo de instabilidade social que ela cria. Quais são as influências políticas que envolvem a desigualdade social.

Não acreditamos que faça algum sentido investigarmos “as raízes do subdesenvolvimento”, mas que devemos compreender as possibilidades de saída dessa situação. E aí foi muito útil a obra de Angus Deaton, que explica como a saída da pobreza cria um processo em que alguns despontam, deixando outros para trás, o que se configura em desigualdade, mas que não significa que seja injustiça e muito menos uma situação insuperável. Portanto, a desigualdade, se não for persistente, pode demonstrar um processo de desenvolvimento.

Por outro lado, a ordem social depende de uma legitimidade para suas hierarquias, ou seja, as diferenças não podem ser vistas como abusos e abismos intransponíveis. Se isso ocorre não haverá compartilhamento de valores e interesses, a política será dominada por grupos específicos e sem acesso ao poder. Isso será fator de instabilidade social.

Portanto, a criação de um ambiente social que proporcione mobilidade, que não seja visto como um fosso entre os diferentes segmentos sociais, será importante para que haja uma sociedade de confiança, de responsabilidades compartilhadas. E a simples redistribuição de renda não é suficiente para promover essa aproximação entre os estratos sociais. Por isso os remédios eficientes para a desigualdade só podem ser encontrados com o diagnóstico correto da situação. Nesse sentido a abordagem que estabelecemos no IPM se mostra mais profunda e comprometida com mudanças de longo prazo, por meio de mais conhecimento consolidado, e ações públicas consistentes e adequadas a cada realidade.

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